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EXPOSIÇÕES > Visual Spaces of Change

Curadoria Pedro Leão Neto

O programa de dinamização cultural aqui apresentado parte da vontade de colaboração entre o projecto Visual Spaces of Change (VSC) e a Bienal de Fotografia do Porto Ciclo’19. Esta colaboração concretiza-se através da operacionalização de um projeto curatorial associado a um conjunto de atividades que cruzam os universos da fotografia e editorial em duas vertentes complementares: (i) Exibição de projectos de Fotografia Contemporânea (CPP) comunicados por intermédio de projecção de vídeo e fotografia em diversos espaços públicos e de uso coletivo localizados na Área Metropolitana do Porto (AMP), e (ii) Mostra de publicações alternativas para a divulgação de autores e obras com particular enfoque na Fotografia de Arquitectura, Cidade e Território.

Este programa será implementado em diversos espaços públicos e de uso coletivo, procurando gerar uma dinâmica de interacção com exposições em organizações culturais, associações profissionais, universidades e outros espaços alternativos de produção artística. Durante o período oficial da bienal em 2019, destacam-se as exibições nas Estações de Metro de S. Bento e Aliados, e a exposição na Ordem dos Arquitectos e Biblioteca Municipal Almeida Garrett. O material que se pretende trazer a público através dos projectos de fotografia contemporânea exibidos nestes espaços constituem ‘narrativas visuais’ que interferem intencionalmente com o território, provocando encontros reais e virtuais entre paisagens contrastantes da AMP, oferecendo ângulos e perspectivas sobre este território que suscitam um novo olhar sobre o seu património cultural, ambiental e arquitectónico.

Clareira - Ana Miriam

O conjunto de imagens aqui apresentado constitui uma formulação breve do resultado de um projeto de investigação, que se concretizou num objeto impresso multiforme, denominado Clareira. A partir de uma perspetiva fenomenológica, Clareira propõe uma abordagem visual que pretende contribuir para a representação do espaço arquitetónico, como lugar de experiência. O projeto demarca-se assim de abordagens centradas na comunicação e interpretação de ideias arquitetónicas, concentrando-se na existência material, nas dinâmicas de utilização e no devir da obra.

Déjà Vu, uma Lembrança do Presente - Leonardo Motta Campos (AoLeo)

Déjà vu, uma lembrança do presente surge como uma adaptação da poesia de Manoel de Barros, evidenciando a transição do tempo em corpos e lugares, de modo a revelar na sua visualidade através de camadas de significados. Sob o desígnio de elaborar uma arqueologia poética contemporânea, o projeto artístico apropria-se de antigos cartões postais da cidade do Porto para utilizá-los como camada temporal-imagética, sob a função cartográfica que norteia o encontro e a confrontação de sítios esquecidos e transformados pela ação de construir e reconstruir o espaço urbano.

Momento. Perceção - Representação - Sofia F. Augusto

A Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto foi a obra arquitectónica eleita para a exploração conceptual e de teor antropológico deste trabalho, num intuito de retratar os espaços da escola na rotina diária, assim como diversas dinâmicas de apropriação. Como estratégia de trabalho, o registo fotográfico que se apresenta foi realizado tendo em mente a “ideia corbusiana de promenade architecturale”, proporcionando uma leitura contínua dos espaços, com momentos sucessivos, próximo do que poderia ser uma experiência real de percurso.

Fendas Intemporais - Jiôn Kiim & Artur Leão

Fendas intemporais parte da descoberta de uma ruína fabril e da vontade de a explorar através da fotografia, (re)inventando os seus espaços esquecidos que, conjugados com a luz e as marcas do tempo, definem um geniusloci particular. Um lugar que já perdeu a sua função original com sua arquitetura em ruína, Terrain Vague esquecido em busca de uma nova identidade e programa capaz de resignificar a sua história e memória, transformando este espaço através de um novo olhar sobre o seu lugar na cidade.

Ode - Edu Silva

Na região costeira do distrito do Porto, o turismo é actualmente um sector em expansão enquanto actividades como a pesca ou a apanha do sargaço estão em risco de desaparecimento. O surgimento destas novas dinâmicas alteraram a paisagem cultural da costa portuguesa, adaptando-a para este admirável e inócuo mundo novo, no qual já não há lugar para heróis e perigo. Tudo o que resta são os antigos contos sobre a costa portuguesa, histórias que ainda nos fazem sonhar acordados sobre um lugar que outrora foi o ponto de partida para a aventura.

Quinta da Conceição - Sérgio Rolando

Contínuo
Quanto tempo é necessário para representar um lugar?
O silêncio, a recordação de coisas essenciais e a atração para um vazio, suspenso no tempo
e no espaço.
A envolvente natural, nostálgica e poética, convoca a contemplação e dilui a fronteira do
interior com o exterior, sugerindo a repetição e uma relação íntima com o detalhe.

Casa de Chá Boa Nova - Helder Sousa

A abordagem aqui tomada passa pela atenção pormenorizada ao edifício, pelas suas características mais singulares, mas também pela sua maior característica, a implantação. Nas tomadas de vistas adoptadas, conseguimos perceber que se torna indissociável a forma do objecto com a sua implantação. Por vezes são mais intimistas, na tentativa de representar este edifício de forma mais isolada do seu contexto, para apresentar as suas formas mais distintas. Quando a abordagem se distancia, podemos ver como a sua implantação está em pura sintonia com a paisagem natural à qual já pertence.

Piscina das Marés - Marta Ferreira

As imagens realizadas são o registo de um espaço que se encontra em transição entre o “natural” e o “artificial”, onde o betão se cruza com a rocha primitiva do local. O seu não estado “normal” de utilização permite em planos mais próximos intensificar essa junção/transição do “artificial” com o “natural”, do desenho do arquitecto, marcado pela utilização do betão, com o “desenho primitivo” das rochas. Em planos mais gerais as piscinas ficam “camufladas”.

As actividades propostas no âmbito desta parceria são orientadas para uma compreensão dos processos de inter-relação entre a Arquitectura, a Arte e a Imagem, identificando os pontos de articulação das dimensões éticas e estéticas destes universos. Os projectos fotográficos que se propõe instalar em diversos espaços públicos e colectivos para a realização de exposições temporárias constituem os objectos autorais através dos quais se pretende ampliar o universo do debate em torno do cruzamento de temas transversais às temáticas do projeto VSC e do Ciclo’19. Este projecto visa assim explorar de que forma a fotografia constitui um media que consegue alinhar a prática artística e a investigação académica, ao mesmo tempo que se posiciona de forma crítica perante estes universos. A estratégia proposta para promover esta aproximação pretende explorar o potencial da imagem fotográfica enquanto instrumento crítico e inquisitivo utilizado para reforçar e expandir capacidades de comunicação e interação entre agentes envolvidos em processos criativos, culturais e artísticos.

ESTAÇÃO DE METRO ALIADOS
ESTAÇÃO DE METRO SÃO BENTO
todos os dias 6h - 1h

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