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Maria Oliveira.

Sustentar

O programa Sustentar é organizado e produzido pela Ci.CLO Plataforma de Fotografia e desenvolvido em parceria com as Câmaras Municipais de Évora, Figueira da Foz, Loulé, Mértola, Setúbal e com a EDIA, tendo como objetivo a atribuição de 6 Bolsas de Criação. Cada bolsa corresponde a um projeto de cada parceiro, já implantado ou em fase de implantação, na área da sustentabilidade social e/ou ambiental.

6 BOLSAS, 6 PROJETOS, 6 TERRITÓRIOS, 6 EXPOSIÇÕES

O Sustentar é um programa direcionado a artistas nacionais e estrangeiros residentes em Portugal que usem fotografia e vídeo como meio de expressão.

Processo

A implementação do programa compreende 3 momentos principais: criação, formação e exposição itinerante.

Criação

Os artistas selecionados vão integrar um programa de criação organizado pela Ci.CLO, que resultará numa exposição coletiva com um acompanhamento curatorial de Virgílio Ferreira, diretor artístico da Ci.CLO e da Bienal Fotografia do Porto e coordenador do programa Sustentar; de Pablo Berástegui, curador e diretor da Galeria de Fotografia Salut au Monde; e de Krzysztof Candrowicz, curador, investigador, diretor de arte, co-fundador do International Festival of Photography in Lodz, Polónia, e ex-diretor artístico da Triennale der Photographie Hamburg, Alemanha.

O programa de criação engloba a participação em 2 residências de criação com a duração de 12 dias cada uma, 2 workshops, conversas com os curadores e a oportunidade de realizar um novo corpo de trabalho no território selecionado.

A orientação curatorial funcionará numa lógica de diálogo e reflexão, onde o ensaio, a experimentação e o cuidado estético e conceptual serão qualidades inerentes de todo o processo criativo. As duas conversas onlien farão parte da relação bidirecional entre cada artista e o seu curador. Cada curador colaborará em proximidade apenas com dois artistas.

Formação

Os workshops, de 3 dias cada, têm como objetivo o desenvolvimento e discussão dos trabalhos à luz das temáticas desenvolvidas e serão orientados pelos curadores e especialistas, nomeadamente: Jayne Dyer, artista, crítica de arte e académica australiana que vive e trabalha entre Lisboa e Sidney; Gil Penha-Lopes, investigador Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa; e Álvaro Domingues, geógrafo e investigador do Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.

Exposição

Os resultados dos trabalhos desenvolvidos no âmbito do programa Sustentar, durante as duas residências, serão apresentados numa exposição coletiva produzida pela Ci.CLO, que seguirá em itinerância por todos os parceiros envolvidos no projeto e será integrada na programação da Bienal'21 Fotografia do Porto (14 de maio a 27 de junho de 2021).

Bolsas de Criação e Artistas

Câmara Municipal de Évora - Elisa Azevedo

POCITYF — Positive Energy Blocks: Construir uma cidade autossustentável e amiga do ambiente

O POCITYF é um projeto de cidades inteligentes que prevê a integração de sistemas energéticos inovadores para as tornar mais autossustentáveis e amigas do ambiente. O objetivo principal é criar um conjunto de Positive Energy Blocks — áreas geograficamente delimitadas com uma média anual de produção local de energia renovável superior ao consumo.

O Município de Évora é a cidade-piloto portuguesa deste projeto experimental com potencial de replicação em território nacional e internacional. Com a implementação dos Positive Energy Blocks, pretende-se transformar o tecido urbano da cidade, com enfoque nas zonas historicamente protegidas, em locais mais sustentáveis, saudáveis e acessíveis.

Mais info aqui.

Câmara Municipal da Figueira da Foz - Maria Oliveira

Núcleo Museológico do Sal: Valorizar a Salina do Corredor da Cobra enquanto património natural e cultural

A exploração de sal teve sempre um papel determinante na economia local da Figueira da Foz — as referências mais antigas a essa atividade, bem como à Ilha da Morraceira, remontam ao ano de 1166. Reconhecendo o potencial natural e cultural do salgado enquanto alavanca de desenvolvimento sustentável do território, o município adquiriu a Salina do Corredor da Cobra, com o intuito de promover a reativação e manutenção contínua da atividade salineira.

Aí nasceu o Núcleo Museológico do Sal, um centro de informação, educação e sensibilização para a necessidade de preservação de uma atividade tradicional e de um produto natural, que se foca na interpretação, valorização e difusão de testemunhos singulares reportados à relação secular das populações com o território das salinas do concelho.

Este complexo cultural e ambiental integra um Armazém de Sal, uma Rota Pedestre pelo salgado, uma Rota Fluvial pelo estuário do Rio Mondego e ainda um observatório de aves, afirmando-se como um local privilegiado para desfrutar de uma grande riqueza faunística e paisagística.

Mais info sobre o Núcleo Museológico do Sal aqui e aqui.
Mais info sobre a Rota das Salinas aqui.

Câmara Municipal de Loulé - Nuno Barroso

Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira: Proteger e valorizar uma história com 350 milhões de anos

A geodiversidade do aspirante Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira remonta há 350 milhões de anos, altura em que se começou a “desenhar” a serra algarvia, marcada pelos grauvaques e pelos xistos argilosos. Mas nem só nas rochas se grava a história: este território é habitado desde a Pré-História, há pelo menos 20 mil anos.

Tendo como pano de fundo o envolvimento das comunidades locais, o Município de Loulé está comprometido com a valorização deste património natural e cultural. O objetivo deste projeto é promover o conhecimento sobre o território através da criação de sinergias entre atividades culturais, ambientais, sociais, científicas, educacionais e turísticas, assegurando as condições para um desenvolvimento sustentável e solidamente alicerçado numa economia verde e socialmente equilibrada.

Mais info aqui.

Câmara Municipal de Mértola - Evgenia Emets

Transição agroecológica: Enfrentar as alterações climáticas com recurso à agricultura sintrópica

Em Mértola, convive-se de perto com as alterações climáticas: há três anos que o concelho se debate com o fenómeno de seca extrema. A adaptação a este cenário de grave escassez hídrica assenta em ensaios para uma transição agroecológica, através do planeamento e implementação de um Parque Demonstrativo e Experimental no Perímetro Florestal de Mértola.

Neste contexto, destaca-se a implementação de técnicas de agricultura sintrópica, que se baseia na criação de um sistema estratificado em que a floresta se mistura com a agricultura e o solo protegido pela sombra das árvores maiores permite o crescimento das diversas espécies. Esta técnica potencia a regeneração dos solos, que se tornam mais húmidos, e promove a absorção de água da atmosfera.

Simultânea e complementarmente, está em curso a implementação de uma Rede Alimentar Local, que ambiciona um futuro alimentar mais sustentável assente no consumo de produtos locais. Neste âmbito, existe já uma rede de produtores hortícolas e frutícolas locais assente em práticas agroecológicas.

Em matéria de sensibilização e envolvimento da comunidade, têm sido desenvolvidas ações pedagógicas e práticas, inclusive junto do 1º ciclo, que já conduziram à criação de cinco hortas sintrópicas.

Mais info aqui.

Câmara Municipal de Setúbal - Margarida Reis Pereira

Setúbal Conserva bairros do Grito do Povo e dos Pescadores: Minimizar vulnerabilidades sociais preservando identidade e memórias

Fora do centro da cidade e marcados pelo desemprego e pela exclusão social, os bairros do Grito do Povo e dos Pescadores são a casa de cerca de 580 famílias, sobretudo ligadas à pesca e à indústria conserveira.

Com o intuito de minimizar as vulnerabilidades sociais nesses bairros históricos da zona da Anunciada, surge o Setúbal Conserva, um projeto que reúne um conjunto de estratégias de intervenção capazes de potenciar a apropriação dos espaços públicos pelos moradores e a consequente construção da identidade intergeracional dos bairros e a preservação das suas memórias.

A criação de percursos de arte urbana são um exemplo de valorização do lugar e das suas pessoas, em que a história e a cultura andam de mãos dadas. Esta e outras intervenções são apenas o início de um processo de transformação dos bairros e da qualidade de vida dos seus moradores - um primeiro passo na construção de espaços de futuro.

Mais info aqui.

EDIA - Samuel Mountford

Alqueva: Impulsionar a adaptação dos Montados às alterações climáticas

O impacto das alterações climáticas na sociedade, na economia e nos ecossistemas portugueses tem-se feito sentir, com particular gravidade, no sul do país. Nesta região, entre 1955 e 2005, a precipitação média anual decresceu cerca de 190mm, enquanto o aumento da temperatura atingiu os 1,3ºC.

O Alqueva pode contribuir para fomentar a resiliência deste território e, nesse sentido, a EDIA participa no LIFE Montado-Adapt. Trata-se de um projeto que visa atenuar as consequências das alterações climáticas nos Montados em Portugal e Espanha, melhorando a sua sustentabilidade económica, social e ambiental.

Tendo por base a premissa de que não é possível atingir a sustentabilidade com sistemas de gestão que não contemplem as mudanças de clima, o LIFE Montado-Adapt apoia a implementação do Sistema Integrado de Gestão do Montado (SIGM) nas regiões do Alentejo, da Extremadura e da Andaluzia. Tratando-se de um sistema assente na adaptação às atuais condições climatéricas, as suas estratégias de diversificação das culturas, tanto agrícolas como florestais, promovem o aumento da capacidade produtiva das propriedades e, ao mesmo tempo, contribuem para a diminuição da desertificação territorial e demográfica.

A Herdade da Coitadinha, em Barrancos, é a primeira área-demonstrativa deste projeto, na qual está a ser implementado o primeiro SIGM. É nesta paisagem cultural e de grande biodiversidade que será desenvolvido o trabalho artístico.

Mais info aqui.

Objetivos

O programa de criação artística Sustentar tem como objetivo produzir uma série de projetos sobre iniciativas que já foram ou estão a ser implementadas em território nacional como resposta aos desafios ecológicos e sociais que enfrentamos. Pretende-se fomentar e destacar as boas práticas e tendências positivas relevantes no âmbito da sustentabilidade ambiental, social e económica, que estimulem uma cidadania mais ativa e, subsequentemente, mais coesa e responsável na conservação dos recursos naturais e do património cultural.

Mais especificamente, através do programa Sustentar, pretende-se:

  • Criar uma plataforma de projetos artísticos com apoio curatorial tendo como eixo temático a sustentabilidade, contribuindo para uma maior consciencialização crítica sobre as vulnerabilidades ecológicas e sociais que enfrentamos;
  • Desenvolver um espaço de experiências que friccionem arte, política, ecologia, sociedade e educação, estimulando diálogos construtivos entre o artístico e o cívico;
  • Valorizar iniciativas inovadoras e experimentais relacionadas com práticas de sustentabilidade que estão a ser implementadas em território nacional;
  • Identificar temas e fatores que valorizam o território nacional em termos de património natural e cultural;
  • Promover a sensibilização da comunidade local e da sociedade em geral sobre o conhecimento ecológico, nomeadamente sobre a conservação de ecossistemas naturais, culturais e sociais, enquanto elemento valorizador do território;
  • Projetar e difundir a produção artística e as iniciativas realizadas no âmbito deste projeto a nível nacional e internacional.
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Maria Oliveira.
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Elisa Azevedo.
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Nuno Barroso.
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Elisa Azevedo, Residência em Évora.
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Samuel Mountford, Residência no Parque de Natureza de Noudar.